Tarifaço dos EUA gera reação em defesa da soberania e denúncia da traição bolsonarista
A concretização, nesta semana, do tarifaço injustificado dos EUA e a participação da extrema direita, sobretudo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas articulações antipatrióticas que levaram a mais este ataque à soberania brasileira, foram rechaçados pelo governo e por lideranças políticas, inclusive do PCdoB.
Após oficializada a aplicação da tarifa adicional sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil aos EUA, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu tanto do ponto de vista da falsa argumentação usada pela gestão de Donald Trump quanto no que diz respeito à proteção da economia nacional.
Em resposta, o governo Lula anunciou, nesta quinta-feira (16), um pacote robusto de medidas de proteção às empresas e aos trabalhadores brasileiros. As ações envolvem apoio financeiro, ampliação do plano Brasil Soberano e uma estratégia focada na diversificação dos mercados de exportação para blindar a economia nacional.
Marco lastimável
Em nota oficial, o governo salientou que o dia 15 de julho, quando a nova tarifa foi implantada, “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”. Além disso, enfatizou que o governo repudia a decisão, que não há justificativa para a medida e que o Brasil “não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio”.
Ao mesmo tempo, anunciou o início dos trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional.
Em publicações mais recentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”.
O vice-presidente, Geraldo Alckmin, pontuou, durante coletiva com ministros nessa quinta-feira (16), que “o governo terá um programa de apoio aos que aqui dentro estão trabalhando e que tenham problemas (devido à tarifa)”, além do “empenho redobrado para a abertura de novos mercados, de maneira a “fazer crescer ainda mais o comércio exterior”.
Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que “do ponto de vista do governo, essa interferência externa — seja ela política, seja ela econômica, seja ela uma forma de afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros — é inadmissível”.
Também disse que “essa medida (o tarifaço), baseada em motivação falsa, fere o senso mais básico do nosso patriotismo. Ainda mais quando a oposição brasileira usa isso de muleta eleitoral sem considerar os interesses do nosso povo”.
Traição dos falsos patriotas
Para a presidenta em exercício do PCdoB, Nádia Campeão, as tarifas impostas por Trump ao Brasil são “uma afronta à soberania do nosso país e um desrespeito aos acordos comerciais reconhecidos internacionalmente”.
Ela ressaltou que “sem qualquer base econômica, a medida é descaradamente um ataque dos Estados Unidos ao Brasil com o claro objetivo de interferir nas eleições de outubro, em favor da família Bolsonaro” que “bate continência à bandeira norte-americana”.
Por fim, enfatizou que “o Brasil se manterá altivo e não vai baixar sua cabeça. Nós, do PCdoB, seguiremos denunciando as ações estadunidenses contra a soberania nacional e contra todos aqueles que dão às costas ao Brasil”.
A líder do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ), também reagiu com uma contundente declaração via redes sociais na qual alertou para o entreguismo do bolsonarismo e sua contribuição direta para a implantação das medidas anunciadas pelos EUA.
“Mais uma traição ao Brasil e ao povo brasileiro. A família Bolsonaro não se cansa de prejudicar o nosso país. Flávio e Eduardo foram a Donald Trump e Marco Rubio para que fizessem uma nova tarifa contra a economia brasileira, contra os produtos brasileiros. Com isso, prejudica a nossa indústria e vai acabar prejudicando também a economia americana porque a inflação de lá vai subir”, declarou.
Jandira ainda destacou que “quem manda no Brasil é o povo brasileiro, o Pix é do Brasil e o destino do Brasil está nas mãos das urnas e do nosso povo e é aqui que nós vamos decidir, porque não somos nem colônia e nem quintal de ninguém”.




