Entidades estudantis entregam a Lula manifesto pela criação da Terrabrás e defesa da soberania
A União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) se reuniram com o presidente Lula para entregar o manifesto “Terras raras e soberania: um chamado ao Brasil”, defendendo a criação da TerraBras, empresa estatal voltada à coordenação estratégica da exploração de terras raras no país.
“A UNE e a UBES se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apresentar uma pauta central para o futuro do nosso país: a criação da TerraBras. A proposta surge como uma ferramenta estratégica e urgente para a defesa da soberania nacional, focada no desenvolvimento sustentável, na preservação das nossas riquezas naturais e no combate à exploração predatória dos nossos bens comuns. Entendemos que o papel do Estado é garantir que as riquezas do Brasil sirvam, prioritariamente, ao povo brasileiro e ao fortalecimento do país”, afirmam as entidades.
“O movimento estudantil cumpre o seu papel histórico de formular e tensionar os rumos do país. Seguiremos vigilantes e em diálogo, cobrando que o governo federal assuma o compromisso com essa agenda que é vital para a nossa soberania! A juventude tem pressa e tem projeto para o Brasil”, afirmam as entidades.
O manifesto foi lançado no dia 8 de maio. No documento, as entidades alertam para a disputa internacional em torno desses minerais, considerados essenciais para setores como transição energética, inteligência artificial e indústria tecnológica. Para o movimento estudantil, o Brasil precisa aproveitar seu potencial e evitar repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima sem desenvolvimento industrial.
O texto também critica a aprovação em regime de urgência do PL 2780/2024, projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e estabelece diretrizes para exploração desses recursos. Para as entidades, a proposta foi debatida sem a participação necessária da sociedade e não assegura mecanismos suficientes de controle público sobre um setor estratégico.
Entre as propostas apresentadas no manifesto estão a criação de um fundo soberano nacional, investimento público em ciência e tecnologia, fortalecimento das universidades e limites à participação estrangeira no setor.
“Ontem estivemos junto aos movimentos sociais, centrais sindicais e organizações ecumênicas em diálogo com o presidente Lula sobre a conjuntura política, os desafios de cada setor e a grande tarefa do próximo período: derrotar a extrema-direita e seguir construindo o Brasil pelas mãos do povo. Na ocasião, apresentei ao presidente a proposta da União Nacional dos Estudantes de atualização da Lei do Estágio. A juventude trabalhadora brasileira precisa voltar a ter direitos e perspectiva de futuro. O estágio não pode ser sinônimo de exploração: deve cumprir sua função pedagógica e garantir dignidade para quem estuda e trabalha ao mesmo tempo. Valorizar os estudantes é valorizar o futuro do Brasil. Vamos adiante, porque é na sala de aula que se constrói a nação!”, disse Bianca Borges, presidente da UNE.
Para UNE, UBES e ANPG, o país está diante de uma escolha estratégica que é aprofundar uma dependência externa ou construir um novo ciclo de soberania e desenvolvimento baseado no controle sobre suas riquezas naturais.
Essa mobilização do movimento estudantil reforça a atuação recente das entidades, que também organizaram um abaixo-assinado pela proibição da entrega da mineradora Serra Verde a grupos econômicos dos Estados Unidos.
Fonte: Página 8




