“Berlim, Londres e Paris armam nazistas de Kiev para atacar Rússia”, afirma Lavrov
Artigo do chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov, cuja publicação estava prevista na revista Politico Europe, foi “cancelada”, segundo registrou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia na sexta-feira (19). Isto é, censurada. Politico Europe, com sede em Bruxelas e sucursais em Berlim, Paris e Londres, faz parte do conglomerado de mídia alemão Alex Springer.
O artigo se segue ao chamado “ultimato de Londres” de 7 de junho, em que três chefes de governo europeus, notoriamente sob maciça reprovação em seus países, o francês Emmanuel Macron, o inglês Keir Starmer e o alemão Friedrich Merz, reafirmaram sua sabotagem a qualquer solução diplomática para a crise ucraniana, insistiram em armar e financiar o regime nazista de Kiev e mantiveram sua apologia à guerra da Europa contra a Rússia “até 2030”, além de provocações contra embarcações transportando petróleo russo.
Também, nas últimas semanas, surgiram notícias sobre alguns setores do bloco europeu aconselhando a retomada dos contatos com Moscou, em paralelo com a enésima rodada de sanções e conclamações a derrotar estrategicamente a Rússia.
No texto, Lavrov acusou os líderes europeus de usarem a diplomacia como pretexto para a expansão da Otan e da União Europeia e detalhou o processo, desde a revolução laranja de 2004 até o golpe de 2014, o silêncio sobre a perseguição à população do Donbass, à língua russa e à Igreja Ortodoxa, a farsa dos acordos de Minsk, a recusa a discutir em 2021 a proposta russa de restauração da segurança coletiva na Europa e, após o socorro da Rússia ao Donbass, apoio à sabotagem de Boris Johnson ao acordo negociado em Istambul, apostando na guerra e em fazer da Ucrânia uma cabeça de ponte anti-Rússia.
Ele também advertiu que a crescente militarização da UE, incluindo discussões sobre dissuasão nuclear e “autonomia estratégica”, aumenta o risco de um confronto direto entre a Otan e a Rússia.
Lavrov apontou que o verdadeiro objetivo dos líderes europeus não é negociar com a Rússia, “é sustentar o regime de Zelensky e mantê-lo como base para a continuidade do confronto com a Rússia”.
Com esse objetivo em mente, estão se apressando para obter um cessar-fogo o mais rápido possível — “por um único motivo: evitar o colapso das forças armadas ucranianas no campo de batalha. O plano é ‘congelar’ o conflito sem abordar suas causas profundas e, em seguida, mobilizar rapidamente contingentes militares da ‘coalizão dos dispostos’ anglo-francesa para o território ucraniano”.
Lavrov assinalou que o presidente Putin, no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, reiterou que a Rússia não se opõe ao contato com nenhuma das partes, mas que o diálogo com a Europa não pode ser conduzido como se ela fosse uma observadora imparcial.
“A confiança não pode ser restaurada, nem o diálogo retomado, por meio de ultimatos como o emitido à Rússia em Londres, em 7 de junho de 2026.”
“O ponto crucial é que um diálogo significativo exige a reconstrução da confiança destruída pelas ações anti-Rússia do Ocidente — e da Europa, por consequência — no período pós-Guerra Fria.”
A Rússia – concluiu – prefere alcançar os objetivos da operação militar especial por meios diplomáticos. “Isso exige garantias de segurança confiáveis ao longo das fronteiras ocidentais da Rússia, bem como respeito à dignidade de nossos cidadãos e compatriotas, incluindo o direito de falar sua língua materna, o russo, e de praticar sua fé cristã ortodoxa. A expansão militar, política e econômica do Ocidente é inaceitável: contraria as exigências de um mundo multipolar.”
Fonte: Papiro




