O coordenador do grupo de trabalho eleitoral do PCdoB e deputado Davidson Magalhães

A edição desta quinta-feira (4) do Entrelinhas Vermelhas recebeu o dirigente nacional do PCdoB Davidson Magalhães para discutir os desafios eleitorais do partido nas eleições de 2026. Coordenador do grupo de trabalho eleitoral da legenda, Davidson afirmou que a disputa ocorrerá em um contexto internacional marcado pela crise do capitalismo neoliberal, pela transição para uma ordem multipolar e pelo avanço de forças de extrema direita em diversos países.

Segundo ele, o Brasil ocupa posição estratégica nesse cenário e a eleição terá importância que ultrapassa as fronteiras nacionais. Para o dirigente comunista, o resultado do pleito poderá definir se o país avançará na construção de um projeto soberano de desenvolvimento ou aprofundará sua dependência econômica e política.

Assista a íntegra da entrevista:

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Reeleger Lula e ampliar a presença comunista

Davidson destacou que o principal objetivo do PCdoB é contribuir para a reeleição do presidente Lula e derrotar a extrema direita, ao mesmo tempo em que busca ampliar sua representação institucional. O partido pretende reeleger sua atual bancada federal e conquistar novas cadeiras na Câmara dos Deputados.

O dirigente lembrou que, embora o PCdoB tenha eleito seis deputados federais em 2022, a bancada atualmente conta com onze parlamentares. A meta agora é transformar esse crescimento em resultado eleitoral consolidado, ampliando a presença comunista no Congresso Nacional e fortalecendo a atuação do partido nos estados.

Entre os nomes citados como potenciais candidaturas competitivas estão Olívia Santana, na Bahia; Perpétua Almeida, no Acre; Giovanna Morgado, em Santa Catarina; Elias Jabbour, no Rio de Janeiro; Wadson Ribeiro, em Minas Gerais; Nésio Fernandes, no Espírito Santo; e Fábio Tokarski, em Goiás.

Soberania, democracia e combate ao neoliberalismo

O projeto eleitoral do PCdoB se sustenta sobre três vetores principais: a defesa intransigente da soberania nacional, a luta por uma democracia substantiva (que vá além da formalidade e atenda aos interesses populares) e o rompimento com as amarras do neoliberalismo.

“Não adianta ter soberania e democracia se não rompermos com o modelo neoliberal”, argumentou Magalhães, destacando a necessidade de enfrentar a autonomia do Banco Central e as taxas de juros abusivas que sangram a economia. Para o comunista, as políticas de distribuição de renda, embora necessárias, chegaram ao seu limite e devem ser complementadas por reformas estruturais que retomem o desenvolvimento nacional e a industrialização.

O enfrentamento do modelo neoliberal, que, segundo ele, aprofundou desigualdades sociais, promoveu a desindustrialização do país e fortaleceu a financeirização da economia. Nesse campo, destacou pautas como a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6×1, a revisão da política de juros elevados e a defesa de reformas estruturais voltadas ao desenvolvimento nacional.

Preocupação com interferências externas

Magalhães foi taxativo ao afirmar que a interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro “já começou”. Citando a recente estratégia de segurança norte-americana e a classificação de facções criminosas como terroristas, o dirigente alertou para a criação de pretextos para intervenções políticas e militares na região.

“O bolsonarismo está vinculado às milícias e ao crime organizado. Eles estão criando uma argumentação para justificar a tutela estrangeira”, denunciou. Magalhães criticou duramente a postura de aliados da direita, como Flávio Bolsonaro, que em viagens aos EUA ofereceram as riquezas nacionais, como terras raras e manganês, em troca de apoio político, configurando um entreguismo que coloca o Brasil na condição de colônia.

O dirigente defendeu a construção de uma ampla frente em defesa da soberania nacional e afirmou que a mobilização popular será fundamental para enfrentar pressões externas e garantir a autonomia do país nas decisões políticas e econômicas.

Militância como fator decisivo

Ao tratar da organização da campanha, Davidson ressaltou a importância da participação militante, das contribuições populares e das chamadas “vaquinhas virtuais” como instrumentos de mobilização política. Segundo ele, as campanhas eleitorais devem servir não apenas para conquistar votos, mas também para ampliar a organização partidária e fortalecer os vínculos com a população.

Para o dirigente, a arrecadação popular não é apenas uma fonte de recursos, mas um ato político que educa e compromete o cidadão com o projeto socialista. “Precisamos retomar a mobilização política permanente. A campanha não é só pedir voto, é organizar o povo territorialmente”, enfatizou, chamando a militância a incorporar a disputa eleitoral como parte da luta diária pela transformação social.

Na mensagem final, o dirigente convocou a militância comunista a assumir papel ativo no processo eleitoral. Para ele, a disputa de 2026 representa uma encruzilhada histórica para o Brasil e exigirá forte engajamento político para garantir a reeleição de Lula, ampliar a representação do PCdoB e consolidar um projeto nacional de desenvolvimento, democracia e soberania.

por Cezar Xavier