UBM mobiliza Congresso e reforça agenda feminista para 2026
São Paulo (SP), 08/03/2025 – Ato unificado pelo dia internacional de luta da mulher, com o tema “Ainda estamos aqui: mulheres na luta por igualdade de direitos, trabalho decente, fim da escala 6×1, justiça reprodutiva e climática, sem anistia para golpistas!”, na Avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A nova edição do Entrelinhas Vermelhas, exibida nesta quinta-feira (11), recebeu a presidenta da União Brasileira de Mulheres, Vanja Santos, para debater os desafios atuais do movimento feminista e os preparativos para o congresso nacional da entidade, que celebrará quatro décadas de atuação em defesa dos direitos das mulheres.
Durante a entrevista, Vanja destacou que a UBM está presente em 25 estados e no Distrito Federal, reunindo atualmente cerca de 6 mil filiadas. A meta da organização é alcançar 8 mil mulheres mobilizadas até a realização do congresso nacional, previsto para ocorrer em São Paulo, reunindo aproximadamente 240 delegadas de todo o país.
Segundo ela, o encontro terá caráter político e histórico, com homenagens às dirigentes que construíram a trajetória da entidade desde sua fundação, além do lançamento de iniciativas voltadas ao resgate da memória da organização.
Assista a íntegra da entrevista:
Feminismo emancipacionista e ampliação de direitos
Ao longo da conversa, a dirigente reafirmou a concepção de feminismo emancipacionista defendida pela UBM. Para Vanja, a luta das mulheres está diretamente ligada à ampliação dos direitos humanos, à igualdade de oportunidades e ao enfrentamento das desigualdades estruturais que ainda limitam a participação feminina em diversos espaços da sociedade.
A entrevistada ressaltou avanços históricos conquistados pelas mulheres brasileiras, como o acesso à educação, ao mercado de trabalho e a profissões antes restritas aos homens. Ao mesmo tempo, observou que persistem desafios relacionados à divisão desigual das tarefas domésticas e dos cuidados familiares, defendendo políticas públicas que promovam maior equilíbrio entre homens e mulheres.
Vanja também abordou a presença feminina no esporte, lembrando que as mulheres chegaram a ser proibidas de jogar futebol no Brasil e que, ainda hoje, enfrentam preconceitos e violências em ambientes tradicionalmente masculinizados.
Eleições e defesa da democracia
Um dos principais temas do programa foi o papel das mulheres nas eleições de 2026. Vanja relatou encontro recente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocasião em que a UBM apresentou seu documento político e reafirmou o compromisso de mobilizar as mulheres para o debate eleitoral.
Como resultado do congresso, a entidade pretende lançar um manifesto eleitoral destinado a candidaturas comprometidas com o desenvolvimento nacional, a democracia e os direitos das mulheres. A dirigente defendeu a ampliação da representação feminina nos espaços institucionais e alertou para os riscos de retrocessos políticos caso setores conservadores ampliem sua influência.
Ao final da entrevista, Vanja reforçou a necessidade de eleger mais representantes progressistas e mulheres comprometidas com pautas de igualdade e justiça social.
Misoginia, violência e direitos reprodutivos
Outro eixo importante da conversa foi o enfrentamento à violência contra as mulheres. Vanja criticou a resistência de setores conservadores à tramitação de projetos voltados ao combate à misoginia e argumentou que o reconhecimento legal desse tipo de violência é fundamental para enfrentar práticas estruturais de discriminação.
A dirigente também condenou iniciativas legislativas que dificultam o atendimento de meninas e mulheres vítimas de violência sexual, classificando tais medidas como retrocessos nos direitos já assegurados pela legislação brasileira. Para ela, cabe aos movimentos sociais pressionar para que as políticas públicas existentes sejam efetivamente implementadas e respeitadas em todo o país.
Mulheres, memória e futuro
Encerrando o programa, Vanja associou a luta feminista à defesa da democracia e da participação popular. Ao destacar a importância da organização coletiva das mulheres, ela afirmou que os avanços conquistados ao longo das últimas décadas exigem mobilização permanente para serem preservados e ampliados.
A edição também prestou homenagem a militantes históricas como Loreta Valadares e Gilze Cosenza, reconhecidas por sua contribuição à construção da UBM e à luta das mulheres no Brasil.
por Cezar Xavier




