A um mês do início da campanha eleitoral de 2026, a nova pesquisa Quaest mostra uma disputa ao Senado que abre espaço para a eleição de dois candidatos não bolsonaristas no Espírito Santo. A avaliação é de Nésio Fernandes, ex-secretário estadual da Saúde (2019-2022) e pré-candidato do PCdoB-ES a deputado federal.

O levantamento, contratado pela TV Gazeta e divulgado nesta quinta-feira (16), mostra que, nos diferentes cenários testados, Renato Casagrande (PSB) lidera com 24% a 31% nas intenções de voto. Na sequência, aparecem Paulo Hartung (PSD), Sergio Meneguelli (PSD), Rose de Freitas (MDB) e Fabiano Contarato (PT).

Na simulação mais ampla elaborada pela Quaest, nomes ligados à extrema direita ou ao bolsonarismo não passam de 4%. É o caso de Maguinha Malta (PL), Evair de Melo (Republicanos), Manato (Republicanos) e Marcos do Val (Avante). Foram ouvidos 804 eleitores de 10 a 13 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Considerando os nomes identificados com o bolsonarismo ou com a extrema direita, a soma de suas intenções de voto não ultrapassa 15%. Em contrapartida, Casagrande, Contarato, Hartung e Meneguelli têm, juntos, 50%. Para Nésio, o quadro de fragmentação do eleitorado conservador pode favorecer candidaturas do campo democrático e viabilizar uma composição menos alinhada ao bolsonarismo na representação capixaba no Senado.

“O espaço da extrema direita aparece menor do que muitos projetavam”, afirma. “Surge uma possibilidade real de eleição de dois senadores do campo da esquerda ou da centro-esquerda – ou ainda um da direita não bolsonarista. A direita segue dividida e, até aqui, os nomes da extrema direita ainda não conseguiram consolidar uma candidatura com maior densidade eleitoral.”

Governo do estado

Já a disputa pelo Palácio Anchieta permanece sem favorito consolidado. No principal cenário estimulado, com cinco candidatos, Ricardo Ferraço (MDB, 21%), Lorenzo Pazolini (Republicanos, 19%) e Paulo Hartung (PSD, 19%) aparecem tecnicamente empatados.

Para Nésio, os números refletem uma dinâmica já conhecida da política capixaba: “A pesquisa parece retratar uma fotografia bastante coerente com o padrão histórico das disputas para o governo do Espírito Santo”. Segundo ele, a sondagem diminui a chance de desfecho da eleição em um turno único.

“É difícil imaginar que a eleição para o governo seja decidida no primeiro turno. Dependendo da grandeza política, da inteligência estratégica e da capacidade de diálogo de Helder Salomão e Ferraço, pode haver espaço para a construção de uma frente ampla no segundo turno”, diz Nésio.

O nome de Helder Salomão (PT), candidato a governador da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), foi testado em quatro cenários. Na comparação com a pesquisa de abril, Helder avançou em todos os cenários testados, chegando a 12% na melhor projeção. Ferraço, eleito vice-governador em 2022, assumiu o governo capixaba em abril passado, quando o então titular, Renato Casagrande, deixou o cargo para se dedicar à pré-campanha ao Senado.

Na visão de Nésio, a política capixaba possui características próprias que a diferenciam de outros estados do Sudeste. “A eleição para o governo do Espírito Santo ocorre em um contexto no qual a agenda dos costumes, historicamente, nunca foi o principal fator de definição das disputas estaduais.”

“Desde 1982, as eleições foram marcadas muito mais pela capacidade de gestão, pela construção de alianças e pela composição entre diferentes grupos políticos”, lembra o pré-candidato do PCdoB. “Forças de esquerda participaram de praticamente todos os governos estaduais, com exceção do governo José Ignácio Ferreira (1999-2002)”. É um caso singular numa região predominantemente governada por forças de centro-direita e direita.

Um recorte adicional da pesquisa ajuda a explicar essa característica local. Conforme a Quaest, 69% dos capixabas dizem não se identificar nem com o bolsonarismo nem com o lulismo. Apenas 23% afirmam pertencer a um dos dois campos, sendo 12% bolsonaristas e 11% lulistas. O resultado reforça a percepção de que a disputa vai além da polarização nacional e é influenciada por outros fatores.