Primeira mesa do congresso; exposição da Nádia Campeão | Foto: Ronald Ferreira dos Santos

Em um discurso enérgico e voltado para a mobilização social, lideranças e delegados reunidos no Congresso da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam) debateram os rumos da conjuntura política e os desafios socioeconômicos do país. O painel destacou a indissociabilidade entre o cenário internacional, a economia doméstica e o próximo pleito eleitoral, classificado como uma decisão “muito importante para a nossa vida e para o Brasil”.

​O cenário internacional e as pressões sobre o Brasil

​Nádia começou o debate com uma análise da geopolítica global, apontando para a transição de um mundo antes dominado unilateralmente pelos Estados Unidos para uma realidade de crises sucessivas e ascensão de novas potências, com destaque para a China. Segundo a análise apresentada, a perda de hegemonia norte-americana tem gerado reações agressivas na diplomacia e no comércio global, impactando diretamente a América Latina, região historicamente tratada como “quintal” pelas forças do Norte.

Nádia alertou para o interesse estrangeiro nas riquezas naturais e estratégicas do Brasil, como:

  • O petróleo e as reservas da Amazônia;
  • Minerais críticos e as chamadas terras raras, fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias de ponta;
  • O mercado interno consumidor, composto por mais de 200 milhões de pessoas.

​Como exemplo prático dessa disputa, foi mencionada a pressão em torno de sistemas de pagamento. O Pix, por ser um sistema gratuito e desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, incomodaria grandes bandeiras de cartões internacionais que deixam de faturar taxas sobre as transações dos cidadãos brasileiros.

​”Nesta eleição, nós precisamos defender a soberania do Brasil. O Brasil precisa de um presidente que defenda o Brasil, a economia brasileira, o povo brasileiro e a Constituição brasileira.”

Defesa dos serviços públicos: SUS e educação

​No âmbito doméstico, Nádia enfatizou a necessidade de avanços substanciais nos direitos sociais, com foco na saúde e na educação pública. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) tenha sido celebrado como uma conquista democrática rara no mundo, foi apontada a urgência de melhorias estruturais para reduzir filas de exames e cirurgias. “Nós temos que ter o SUS, mas nós precisamos melhorar o SUS”, cobrou a palestrante, sob aplausos do público.

​A educação em tempo integral e de qualidade também foi colocada como pilar para a mobilidade social e proteção da juventude.

​A encruzilhada econômica: juros altos e desindustrialização

​Um dos pontos mais críticos da apresentação abordou o Orçamento Público e a política monetária atual. A palestrante denunciou o impacto da taxa de juros elevada (na casa dos 14% a 15%), que consome anualmente cerca de R$ 1 trilhão do Tesouro Nacional apenas para o pagamento do serviço da dívida pública.

​Segundo Nádia e os fatos, esse mecanismo beneficia o setor rentista em detrimento do setor produtivo, desencorajando empresários de abrirem fábricas e gerarem empregos qualificados. O movimento comunitário defende que esses recursos deveriam ser redirecionados para investimentos em infraestrutura, habitação e reindustrialização do país.

​Mobilização além do voto

​Ao encerrar, a fala reforçou que a consolidação de conquistas como o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a preservação das aposentadorias dependem não apenas do resultado das urnas, mas dá continuidade da organização popular.

​”Não basta eleger… nós precisamos estar mobilizados e organizados, como este congresso está, para cobrar mais direitos e ir para cima dos poderosos”, concluiu, defendendo um projeto de país que gere empregos dignos e carreiras para as futuras gerações, rejeitando a precarização do trabalho.