Foto: Roberta de Carvalho

A União Brasileira de Mulheres (UBM) encerrou, no último domingo (28), seu 12º Congresso Nacional com a aprovação das diretrizes políticas que orientarão a atuação da entidade pelos próximos três anos e a eleição da nova Direção Nacional. Realizado em São Paulo, o encontro reuniu delegadas de todas as regiões do país e consolidou uma agenda voltada ao fortalecimento da organização das mulheres, à defesa da democracia, da soberania nacional e ao enfrentamento da extrema direita.

A pernambucana Manuella Mirella foi eleita presidenta nacional da entidade para o mandato 2026-2029, tornando-se a primeira mulher negra a dirigir a entidade em seus 38 anos de história. A escolha simboliza um novo momento da organização ao combinar renovação política, fortalecimento da presença nacional e continuidade do projeto construído nas últimas décadas.

Além de eleger uma nova presidenta, o congresso aprovou uma Direção Nacional que combina renovação política, experiência acumulada e representação de diferentes regiões do país. Ao lado de Manuella Mirella (PE) na presidência e de Silvana Conti (RS) na vice-presidência, a Executiva passa a contar com Germana (SP) na Secretaria de Organização, Claudia Rodrigues (SP) na Tesouraria, Rafaela Inoa (RJ) na 2ª Tesouraria, Geovana Bezerra (MT) na Comunicação, Lau Domingos (PE) na Cultura, Carol Barbosa (DF) na Formação, Gabi Freitas (CE) em Projetos, Márcia Viotto (SP) na Secretaria Sindical, Yasmin Sousa (SP) na Juventude, Cadine (BA) no Combate ao Racismo, Eneida Guimarães (PA) na Secretaria da 3ª Idade, Matsuko Mori (RJ) na Saúde, Juliana Krause (DF) em Ciência e Tecnologia, Gabriela Pessoa (MG) em Políticas Públicas e Eriana Amazonas em Litigância Estratégica. A presidenta que encerra o mandato, Vanja Andrea (DF), passa a responder pela Secretaria de Relações Internacionais, assegurando a continuidade da experiência acumulada na direção da entidade.

A composição também incorpora instâncias de acompanhamento e formulação política. O Conselho Fiscal será integrado por Fabiane Pavane (RS) e Irene (RJ), tendo Loide (MA) e Lucineia Ferreira (SP) como suplentes. Já o Conselho Consultivo reúne dirigentes históricas como Liege Rocha, Lucia Rincon, Jô Moraes, Glauce Medeiros, Jaqueline Goes, Daniela Pavane, Ana Rocha e Lídia, reforçando o diálogo entre a renovação da direção e a trajetória construída pela UBM ao longo de seus 38 anos.

Documento político orienta atuação até 2029

As delegadas aprovaram a tese política que passa a orientar a atuação da entidade no próximo período. O documento reafirma o feminismo emancipacionista como referência da UBM e sustenta que a emancipação das mulheres está diretamente vinculada à defesa da democracia, da soberania nacional, dos direitos sociais e da construção de um projeto de desenvolvimento comprometido com a justiça social.

A tese também identifica as eleições de 2026 como um momento decisivo para o país, defendendo a ampliação da participação das mulheres na política institucional e a construção de uma maioria comprometida com a democracia e os interesses nacionais. Entre os desafios apontados estão o enfrentamento ao avanço da extrema direita, da violência política de gênero, do racismo, da desigualdade social e das tentativas de retirada de direitos.

Durante os debates, as delegadas aprovaram ainda uma plataforma de atuação voltada ao fortalecimento da organização da UBM nos estados, à formação de novas lideranças, à ampliação da comunicação da entidade, ao fortalecimento da participação das mulheres nos espaços de poder e à preparação da organização para a disputa política de 2026.

Também foram aprovadas moções em defesa da Política Nacional de Cuidados, da adesão dos estados ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, do fortalecimento da rede de proteção às mulheres LBT+, da federalização de casos emblemáticos de violência contra mulheres e uma moção de solidariedade à vereadora e escritora Cida Pedrosa, em repúdio à violência política de gênero sofrida pela parlamentar.

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Organização das mulheres como tarefa estratégica

Na abertura do Congresso, a presidenta nacional do PCdoB, Nádia Campeão, destacou que a conjuntura internacional e a disputa em torno da soberania nacional colocam novos desafios para as forças democráticas brasileiras e ressaltou que as mulheres terão papel decisivo na defesa do projeto democrático liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao relacionar democracia, direitos sociais e soberania nacional, Nádia defendeu que a organização das mulheres será fundamental para enfrentar a extrema direita, combater a desinformação e ampliar a participação popular nas eleições de 2026. Também ressaltou que a maioria das mulheres brasileiras apoia a reconstrução do país e pode exercer papel determinante na consolidação de um projeto nacional voltado ao desenvolvimento e à justiça social.

Essa leitura dialoga diretamente com a tese aprovada pelas delegadas, que aponta a organização popular como condição para ampliar a representação política das mulheres e enfrentar as desigualdades produzidas pela articulação entre patriarcado, racismo e exploração capitalista. O documento reafirma ainda que o feminismo emancipacionista defendido pela UBM compreende a luta das mulheres como parte da construção de uma sociedade democrática, soberana e popular.

Memória e continuidade

O Congresso também dedicou espaço à valorização da trajetória construída pela entidade desde sua fundação. A atividade “Nossos Passos Vêm de Longe” reuniu dirigentes que participaram da consolidação da UBM ao longo de quase quatro décadas e prestou homenagem a militantes que contribuíram para a construção da organização em diferentes momentos de sua história.

Na reta final do encontro, Vanja Andrea recebeu uma homenagem pelos dez anos à frente da presidência nacional da entidade. A atividade destacou sua atuação na ampliação da presença da UBM nos estados, na defesa da democracia durante os anos de ascensão da extrema direita, na organização das mulheres durante a pandemia e no fortalecimento institucional da entidade.

Com a aprovação do documento político, a eleição da nova Direção Nacional e a definição das prioridades para o próximo triênio, a UBM encerra seu 12º Congresso reafirmando o compromisso de ampliar sua organização em todo o país e fortalecer a participação das mulheres na construção de um Brasil democrático, soberano, popular e comprometido com a justiça social.